Monumento Paulistano

Abril 28, 2008 at 5:31 pm (Impresso)

São 138 metros de altura e 500 toneladas de aço compondo os 144 cabos importados da Espanha. A Ponte Estaiada Jornalista Octavio Frias de Oliveira me envergonha e eis que a encontro na primeira página do Estado de São Paulo.

Ela me orgulharia se a visse do alto do terraço do meu sobrado ou de alguma janela do WTC lá na marginal Pinheiros. O caso é que toda vez que me lembro dessa maravilha da engenharia moderna, me vem à cabeça a favela que persiste aparecer no novo cartão postal da minha adorada cidade.

No final da matéria do caderno Cidades/Metrópole, mais precisamente na última frase da matéria encontramos a seguinte afirmação, “Inicialmente orçada em R$184 milhões, a obra custou R$233 milhões”. Frustrante. Esse deveria ser o lead da matéria. Afinal, será que os representantes do nosso magnificente Estado, com seu histórico de honestidade, não deveriam prestar contas desses míseros R$43 milhões?

A Favela do Jardim Edith, que a prefeitura está oferecendo cheques-despejo de R$ 5 mil a R$ 8 mil para os moradores ou moradia no conjunto habitacional da CDHU do Campo Limpo – a 18 km do local – mostra que o velho dilema, “dar o peixe ou ensinar a pescar”, é insistente na forma como as coisas são levadas por aqui.
Ponte

Sem levar em conta o problema social que enfrentamos e que nenhum veículo abordou de forma a denunciar, essa extravagância era necessária para mitigar a insuficiência das vias públicas em receber tantos veículos?

No caderno de final de semana do Valor Econômico a matéria de capa trata do problema dos congestionamentos da cidade de São Paulo. O município desperdiça 33,5 bilhões por ano por conta desse infortúnios e os investimentos necessários em transporte de massa ou ciclovias entre outros, não são pragmáticos.

Mas o Valor Econômico nem citou a obra faraônica as margens do Rio Pinheiros.

Os engenheiros que participaram da obra afirmam que a ponte aliviará o trânsito na região da Avenida Jornalista Roberto Marinho e a Avenida das Nações Unidas (Marginal Pinheiros).

Ainda sim uma pergunta fica martelando a minha cabeça, seria melhor se os faraós Quéops, Quéfren, e Menkaure (ou Miquerinos) – pai, filho e neto – construíssem as pirâmides de Gizé às margens do Rio Nilo ou libertado os escravos que morreram na construção ou, indo mais longe, investido o capital humano em outros recursos?

Talvez o Egito não tivesse sido subjulgado por Roma.

Caio Neumann

Ponte Estaiada

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