“Alguma coisa acontece no meu coração, que só quando cruza a ‘Aurora’ e avenida São João…”

Abril 29, 2008 at 1:34 pm (Televisão) (, , )

Eu sou umas das 4 milhões de pessoas que prestigiou as atrações da Virada Cultural… ou pelo menos tentei. Coitada de mim! Fui praticamente violentada pelo pessoal que resolveu fazer o mesmo que eu: ficar acordadinha a madrugada inteira, para prestigiar Zé Ramalho, Mutantes, entre outros, no palco da Avenida São João. Cheguei meia-noite. Consegui ouvir o Zé, ver que é bom… e nem tentei esperar pelos Mutantes.

Caos. Estava cercada por fumantes compulsivos e apreciadores nem um pouco contidos de álcool e marijuana. Deixo claro que não sou contra o uso desses dois tipos de drogas, mas quando eles passam a atrapalhar a minha diversão e a dos outros, aí eu tenho que reclamar. Estava com a minha turma, gente pacífica, bebedores de suco de acerola, ao lado de uma banca de jornal, tentando ver a barba do Zé, quando, sem mais nem menos, um ser nada simpático invade a cena e sobe no topo da tal banca, que por sinal, estava novinha em folha. No caminho, quebra uma das telhas e quase se esborracha no chão. Na hora fiquei com dó do dono da banca, que veria o estrago só na segunda-feira.

Pelo caminho de volta, mais e mais motivos para escrever esse post: a beleza dos malabaristas que faziam acrobacias em um sofá suspenso por guindaste, foi apagada pelo monte de papel picado que vinha do céu, diretamente para os bueiros. Pessoas mal educadas jogando lixo por onde passavam, vândalos em cima dos banheiros públicos, furadores de fila na bilheteria do metrô República. E até uma E.T fumando dentro do trem. É… só pode ser um E.T., porque cidadão que se preze nem sequer cogita a idéia de fumar dentro de um trem.

Naquela parte do evento só vi um ponto positivo e, ainda sim, deturpado. Os catadores de sucata, que com certeza fizeram a festa ontem, ao vender as latinhas que recolheram para o ferro-velho.

Eu estava esperando, no mínimo, uma nota simples em algum telejornal. E o que vejo? Só “rasgação” de seda. Claro, claro. Não se pode tirar o mérito, afinal, um evento como esse se compara, pelo tamanho e a boa intenção, aos grandes festivais europeus. Porém, e sempre há um porém, a grande virada cultural deveria estar na atitude das pessoas. Infelizmente, presenciei apenas mesmices, tanto no evento, quanto nos telejornais, que abafaram o caso e mostraram somente belezas.

Será que tem algo a ver com o tiroteio que ocorreu na última edição da Virada, durante o show dos Racionais Mcs? Os telejornais quiseram mostrar que esse ano correu tudo bem?

Não sei não, mas seria bom ver uma matéria estilo “antes e depois”, mostrando a avenida, a banca de jornal… e a cara do dono, quando visse o seu patrimônio destruído.

por Raquel Nantes Tavares

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