A tragédia que virou piada

Maio 12, 2008 at 10:21 pm (Impresso)

Primeiro lugar, preciso ser sincero. Me surpreendeu ir à banca e ver que único jornal que deu destaque para a entrevista de Ana Carolina de Oliveira ao Fantástico na capa foi o Agora!. Claro, a linguagem mais popular é característica do veículo. Vale citar, também, a série de reportagens da Gazeta Mercantil sobre educação, “Lição de Casa”.

Mas houve certo descontentamento em enxergar, logo que desdobrei a capa do Estado de São Paulo, a chamada, bem pequena, “Caso Isabella, Mãe vê ciúme como motivo”, talvez esse fosse o destaque mais cabível desde o começo do caso. Ontem, na televisão, vi cerca de cinco entrevistas diferentes de “especialistas” explicando porque o caso chama tanto a atenção do público, dizendo que os personagens do caso podem se encaixar em qualquer setor de qualquer sociedade, mas ainda não vi um profissional da comunicação que realmente viesse a algum espaço de destaque e dissesse, “a imprensa criou esse caso”.

Talvez o lado escritor fracassado de alguns jornalistas da grande mídia falou mais alto e fez com que os diretores de redação, editores, jornalistas e toda a bancada de cúpula cutucasse tanto essa história.

Engraçado, chegando a faculdade, em frente a banca de jornal, vi uma roda de papo com alguns senhores, o dono da banca e dois policiais da ronda escolar. Quando passava pelo grupo um senhor se dirigiu aos demais e disse “Vocês viram a personagem da novela ontem?”, e os seus colegas olharam-no com interrogação. “A novela Isabella, que agora mais uma personagem vem à tona para complicar a trama…”, e todos caíram na risada. Inclusive eu.
De tanto que se fala em algo sério, ele acaba virando piada.

Caio Neumann

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