Tá tudo uma bagunça
O debate sobre a influência da mídia nos caminhos do poder público sempre dá espaço para inúmeros pontos de vista. Alguns acreditam que o impacto é forte, pra bem e pra mal. Outros acreditam que os meios de comunicação são, muitas vezes, isentos de qualquer influência.
Talvez mais um caso a ser discutido seja a utilização de uma revista que o Valor Econômico publicará sobre etanol, que o presidente Luís Inácio Lula da Silva usará na conferência que ocorrerá amanhã, na Agência das
Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, em Roma.
Lula usa a publicação recheada de dados favoráveis a utilização em larga escala do etanol para desmanchar todos os argumentos sobre a influência dos biocombustiveis no preço dos alimentos.
Me surpreende saber que o presidente acompanha jornal em certos casos.
Como o da demissão de Marina Silva, que a mídia – nacional e internacional – tratava como ícone da
proteção do desenvolvimento sustentável da Amazônia.
O que, também deveriam ter lembrado de publicar é como o mesmo Luís, metalúrgico do ABC, respondeu ao ser questionado sobre os processos orquestrados pela Igreja Universal contra jornalistas.
“Quem escreve o que quer, ouve o que não quer.”
E pra terminar. Afirmando que o exemplo vem de cima. Vocês viram que o secretário de segurança do Rio de Janeiro confirmou que alguns jornalistas foram agredidos e torturados durante sete horas? E os torturadores eram policiais…
E assim se trata o jornalista, quando existe interesse, se lambe os pés, se não torturasse com a benção da ineficácia e impunição, para não dizer conivência do Estado. Mas essa notícia nem saiu nos jornais. Só na internet.
Pois é. Nem a grande mídia deu destaque a esse fato nessa segunda-feira.
Tá tudo uma bagunça.
Por Caio Neumann