Qual é o endereço do jornalista?
Já escrevi sobre o papel do jornalista/jornalismo. O social não pode ser deixado de lado, claro. O papel de denunciar, articular notícias e alertar é primordial.
Alguns exageram, avacalham e dançam em cima dos problemas sociais – acho que já escrevi sobre isso também. Alguns telejornais que se dizem do povo, que vivem essencialmente de denúncias policiais são assim. Exageram ao mostrar cenas sangrentas, bizarras… é preciso um pouco mais de parcimônia para não ultrapassar a tênue linha entre denúncia e sensacionalismo exacerbado. Dá audiência, mas esses jornais parecem estar tão engessados e acostumados com a aquela audiência vazia que esquecem o seu outro papel, o de enriquecer o conhecimento, esclarecer os cidadãos, fazê-los pensar.
Hoje, Marcos Hummel, âncora do “Fala Brasil”, da Record, deu um respiro de consciência em meio a cenas chocantes, do descaso do Estado em relação à saúde pública – tão conhecido dos brasileiros – um entrevistado exacerbado, mas parecendo âncora desses jornais que acabei de descrever.
Ele questionou o entrevistado, mas a pergunta, infelizmente, parecia retórica: “Qual é o endereço da justiça? Quem as pessoas precisam procurar para que o jornalismo não vire esse show de horror que é hoje?”.
E a denúncia feita pelo “Fantástico”, de ex-generais e não sei quem mais que soltam balões e acreditam estar acima da lei?
O papel que deveria ser do Estado, acaba passando para o jornalista, que querendo ou não, deixa de ser isento, precisa meter o bedelho e ser o chato da história. O jornalista não é o bonzinho, muitos querem mesmo essas cenas, como disse é o que dá mais dinheiro… mas vale a pena? Os problemas continuam, são reincidentes, crônicos.
O equilíbrio nunca chega e um dia vai cansar, ah vai! Eu acredito no ser humano, acredito na revolução também, mas não na armada. Acredito na revolução dos que questionam: “Qual é o caminho para que eu não participe mais desse show de horror?”.
por Raquel Nantes Tavares