Reportagens Especiais
Nós, aspirantes a jornalistas, somos inspirados pelos professores a ler, assistir e ouvir notícias. Sinceramente, eu duvido que exista um cidadão que viva sintonizado 24 horas por dia no que acontece no mundo, afinal, todos temos uma vida, precisamos trabalhar, estudar, namorar… é impossível saber de tudo.
E o hard news cansa, cansa muito. Claro, é sempre um desafio, exercitar a capacidade de escrever sobre um mesmo assunto dando diferentes enfoques a notícia, saber usar as palavras certas, para fazer um texto conciso, inteligível e rápido, tão rápido quanto os fatos acontecem.
Mas o que me atrai muito no jornal televisivo são as matérias especiais, é… os “Globo Repórteres” da vida, os “Fantásticos”, por que não? Não se pode negar a pitada de sensacionalismo de alguns, mas já no primeiro ano aprendemos que esse conceito é muito relativo, porque o sensacionalismo precisa estar presente em tudo o que produzimos no jornalismo. Aprendi então a tirar as vendas que atrapalhavam meus olhos e assistir a alguns programas sem um julgamento pré-estabelecido.
As matérias dessas “revistas eletrônicas” são mais apuradas e desenvolvidas, assim como as reportagens especiais que vemos nos telejornais do dia-a-dia. Nelas é que vemos a reflexão e repercussão dos fatos. Nelas é que aprendemos um pouco mais sobre um assunto, que às vezes nem sabíamos da existência.
Assisti hoje a uma matéria especial, de uma série que o “São Paulo Acontece”, da Band está veiculando essa semana sobre reciclagem. Mas não aquela reciclagem sobre a qual todo mundo está cansado de falar, mas sim, a reciclagem de materiais como concreto, óleo de cozinha, lâmpadas fluorescentes etc. Eu, pelo menos, nunca tinha parado para pensar sobre esses materiais e o destinado que podem ter depois da reciclagem. As reportagens cumprem seu papel de informar, mas com um algo a mais.
Gosto bastante das matérias frias, elas desaceleram um pouco o ritmo desenfreado das notícias de última hora e nos dão um tempo para respirar e refletir.
por Raquel Nantes Tavares
Além das notícias
Na Universidade discutimos o papel do jornalista: informar com acuidade, respeito ao interlocutor e da forma mais coesa e concisa possível.
Mas simplesmente “dar” a notícia não é o suficiente. O papel do comentarista é fundamental para refletir sobre os acontecimentos noticiados e a repercussão deles na sociedade. Talvez os indicadores econômicos, as eleições dos Estados Unidos ou o discurso de alguma autoridade não seria bem compreendido se os comentaristas não dessem o seu “pitaco”.
Esse é o real papel do jornalista: além de dar voz aos lados envolvidos em um fato, mostrar o que esse fato tem a ver com a minha vida. O Jornal da Noite, da Band, apresentado por Boris Casoy, é quase todo estruturado pelos comentários do âncora, maduro e experiente o suficiente para entender o que há de relevante na notícia.
Miriam Leitão, Alexandre Garcia – Bom Dia Brasil – Carlos Alberto Sardenberg, Arnaldo Jabor – Jornal da Globo – também representam o mesmo papel, o de considerar, ir além do assistir às notícias e reproduzir tudo sem refletir. Outros telejornais também trazem opinião, como o Jornal do SBT ou o Jornal Hoje, mas de maneira descontraída e popular. Mesmo assim, cumprem o papel de “chacoalhar” o telespectador.
Uma pena que faltem comentários no Jornal Nacional, por exemplo, uma das maiores audiências da Globo no horário nobre há quase 40 anos. Por que será?