As agendas da mídia

Abril 17, 2008 at 3:53 pm (Rádio) (, , , )

Hoje é meu primeiro post. Meu nome é Amanda e eu analiso as rádios.

Esta semana acompanhei duas emissoras a CBN e a Rádio Bandeirantes. Procurei, enquanto ouvia a programação, alguma notícia ou alguma forma de veiculação de notícias que me chamasse a atenção e me voltasse à memoria alguma aula que já tivemos. Em meio as minhas divagações lembrei-me das aulas sobre Agenda setting e percebi como realmente os veículos de comunicação agendam os assuntos que serão debatidos pelos cidadãos.

O assunto do momento (por sua gravidade é claro!) é a Dengue e como combater o seu transmissor. Todos os holofortes estão voltados para o Rio de Janeiro e para o caos que se instalou na cidade. Não falerei mais sobre o que tanto se dicute em todas as mídias. Mas engraçado… a Febre Amarela sumiu! Parece até que houve uma cura repentina! Ninguém mais, nas regiões do Pantanal ou da Amazônia, foi contaminado nesses últimos dias. Na verdade, muitas pessoas ainda são contaminadas pela febre amarela, mas numa região mais distante, e talvez, essa distância fará com que a doença nunca nos atinja. O que não é verdade!!! A febre amarela está tão próxima de nós quanto a dengue, afinal as duas são transmitidas por benditos mosquitinhos.

É impressionante a capacidade que a mídia tem de direcionar a atenção de seu público! Jornalismo têm um poder nas mãos! Afinal, com as matérias sobre a dengue, a população do país todo cobra dos dirigentes uma solução. E o mais rápido possível! Por que, então não aproveitar essa influência e lembrar a população de que a Febre Amarela pode se tornar uma epidemia a qualquer momento] Por que, então, não previnir e fazer com que a sociedade cobre uma precaução dos governantes sobre o assunto] Porque se não ficamos de olho, as coisas neste país são empurradas com a barriga, e depois, acaba omo o Rio de Janeiro, em lágrimas; desespero; filas e perda da fé em quem nos governa.

por Amanda Sakumoto Cotrim Maziero

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Todo mundo é culpado até que se prove o contrário

Abril 15, 2008 at 8:50 pm (Televisão) (, , , )

Pode parecer coincidência a escolha do tema, mas foi proposital, afinal os urubus da grande mídia sobrevoam o “caso menina Isabella”, como todo bom apresentador gosta de chamar, há duas semanas. Assim como meu colega Caio frisou, a mídia tem dado grande importância para pequenos detalhes e, acreditem, os detalhes nesse caso, enchem a paciência e só atrapalham.

As redações de todos os telejornais, nos últimos 2 ou 3 dias, tiveram acesso exclusivo ao depoimento ou fotos da perícia ou vídeo do casal fazendo compras em tal mercado. Mas o que fica claro é que nada nesse caso é exclusivo e todos os profissionais do jornalismo estão explodindo de vontade de dar o furo que já aconteceu há duas semanas. Qualquer fato já vai logo ao ar e a repercussão às vezes toma corpo e vida própria.

O Bom Dia Brasil não ficou para trás e trouxe “com exclusividade” as fotos da perícia e cópia do inquérito SIGILOSO do casal Ana Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni e vizinhos. A matéria de pouco mais de 6 minutos foi preenchida com 4 minutos da voz do repórter Maurício Ferraz (o ‘sortudo’ que teve acesso aos objetos) lendo passagens dos depoimentos. Praticamente nenhuma informação nova, apenas releituras e suposições, um graveto a mais nessa fogueira, para não apagar o furor da opinião popular, que nessas horas vira juiz e sabe com certeza quem é o culpado.

Seria favor de utilidade pública se a mídia ficasse quietinha e deixasse o caso “de lado” até tudo ser resolvido definitivamente e não apenas 60 ou 90 por cento do todo. As outras crianças continuam morrendo, o sertão está virando mar, o presidente está defendendo a política interna na Europa e, mais cedo ou mais tarde, outro furo vai dar o ar da graça. Até lá, tratar com respeito, imparcialidade e parcimônia o mistério em torno da morte de Isabella é questão de ética, lembrando sempre (como o professor Carlos Alberto Correia * gosta de frisar) de casos parecidos, como o da Escola Base, quando a irresponsabilidade ética de policiais e jornalistas condenaram professores inocentes.

Assista ao vídeo do Bom Dia Brasil de hoje

* O professor Carlos Alberto Correia ministra aulas de técnicas de reportagem e entrevista na Universidade Municipal de São Caetano do Sul – IMES.

Por Raquel Nantes Tavares

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Caso Isabella no Estado de São Paulo

Abril 14, 2008 at 1:04 pm (Impresso) (, , , , , )

Qual não é a minha surpresa quando abro o Estado de São Paulo de hoje e me deparo com uma foto da madrasta e do pai de Isabella Nardoni? Eu nem preciso saber que o nome dele é Alexandre Nardoni e o da madrasta é Carolina Jatobá. Há quinze dias a imprensa não dá folga pro caso.

No último domingo, o casal foi ver os filhos na casa dos pais de Carolina. Vejam o que vira “fato jornalístico” e vai pra primeira página do jornal e do cadernos Metrópole: …“os dois desceram a escada do sobrado por volta das 9h10”… ou “Alexandre chegou a cumprimentar os repórteres com um discreto “bom dia”. Deixou Ana Carolina entrar primeiro no carro, no banco de trás e entrou em seguida.”

A onda de futilidades não termina por aí, informações como “o carro do pai de Alexandre era um Vectra e o casal levaram para a casa dos avós dos filhos latas de leite em pó e fraldas” preenchem as laudas do jornal.

Quando vejo jornalistas mais velhos questionarem a qualidade dos mais novos, percebo – em casos como esse -que eles talvez tenham razão.

Mas uma entrevista com Boris Casoy – também na edição de hoje do Estado – traz o jornalista afirmando que não vê exageros na cobertura do caso!

EstadoO que você acha da cobertura do caso Isabella?

Casoy – Tenho acompanhado mais pelos jornais, mas acho que a imprensa brasileira não cometeu nenhum abuso ou excesso que a imprensa americana não cometeria em um caso emocionante como esse. Veja o caso Madeleine (Menina inglesa desaparecida em maio do ano passado, em Portugal). Há uma pressão grande.

EstadoMas há excessos?

Casoy – Claro, mas também há um ponto a favor que foi quando a imprensa puxou o freio de mão e aprendeu que não podia fazer uma acusação direta. Há uma hora em que se perde o controle. A Escola Base fez escola nesse sentido.

A missão do jornalista é relatar fatos de interesse público. Quantas vezes mais os veículos tomarão carona nesse carro? Apenas depois de uma semana de superexposição vi um jornalista dizer “o casal é inocente até que se prove o contrário”. Talvez esse tenha sido o freio de mão mencionado pelo nosso colega. Mas a exposição já não acabou com a vida desse casal? Inocente ou não?

Pode ser que a única coisa que a Escola Base ensinou foi ser mais sutil ou indireto, mas causando o mesmo estrago.

Caio Neumann

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