Caso Isabella no Estado de São Paulo
Qual não é a minha surpresa quando abro o Estado de São Paulo de hoje e me deparo com uma foto da madrasta e do pai de Isabella Nardoni? Eu nem preciso saber que o nome dele é Alexandre Nardoni e o da madrasta é Carolina Jatobá. Há quinze dias a imprensa não dá folga pro caso.
No último domingo, o casal foi ver os filhos na casa dos pais de Carolina. Vejam o que vira “fato jornalístico” e vai pra primeira página do jornal e do cadernos Metrópole: …“os dois desceram a escada do sobrado por volta das 9h10”… ou “Alexandre chegou a cumprimentar os repórteres com um discreto “bom dia”. Deixou Ana Carolina entrar primeiro no carro, no banco de trás e entrou em seguida.”
A onda de futilidades não termina por aí, informações como “o carro do pai de Alexandre era um Vectra e o casal levaram para a casa dos avós dos filhos latas de leite em pó e fraldas” preenchem as laudas do jornal.
Quando vejo jornalistas mais velhos questionarem a qualidade dos mais novos, percebo – em casos como esse -que eles talvez tenham razão.
Mas uma entrevista com Boris Casoy – também na edição de hoje do Estado – traz o jornalista afirmando que não vê exageros na cobertura do caso!
Estado – O que você acha da cobertura do caso Isabella?
Casoy – Tenho acompanhado mais pelos jornais, mas acho que a imprensa brasileira não cometeu nenhum abuso ou excesso que a imprensa americana não cometeria em um caso emocionante como esse. Veja o caso Madeleine (Menina inglesa desaparecida em maio do ano passado, em Portugal). Há uma pressão grande.
Estado – Mas há excessos?
Casoy – Claro, mas também há um ponto a favor que foi quando a imprensa puxou o freio de mão e aprendeu que não podia fazer uma acusação direta. Há uma hora em que se perde o controle. A Escola Base fez escola nesse sentido.
A missão do jornalista é relatar fatos de interesse público. Quantas vezes mais os veículos tomarão carona nesse carro? Apenas depois de uma semana de superexposição vi um jornalista dizer “o casal é inocente até que se prove o contrário”. Talvez esse tenha sido o freio de mão mencionado pelo nosso colega. Mas a exposição já não acabou com a vida desse casal? Inocente ou não?
Pode ser que a única coisa que a Escola Base ensinou foi ser mais sutil ou indireto, mas causando o mesmo estrago.
Caio Neumann