CQC – Ombudsman televisivo

Maio 6, 2008 at 1:26 pm (Televisão) (, , , , )

Tudo bem que para informar de forma direta e objetiva, as matérias televisivas devem ser escritas na forma coloquial, com pontuação correta, frases curtas, casadas com a imagem.

Mas de quando em quando é bom tentar mudar algumas coisas e até abusar um pouco da metalingüística. Por que o jornalismo não fala de si mesmo, não se critica um pouco além dos ombudsman da vida?

Esses dias, para alimentar as brasas do caso Isabela, Chico Pinheiro tem se questionado e questionado os seus entrevistados sobre o papel da mídia nesse furacão de notícias sobre a morte da menina. Mas até aí, a televisão acaba se eximindo da culpa, deixando claro que o exagero não é dela… é da mídia em geral e que até Freud explica essa nossa fissura por tragédia.

Porém… existe vida além do caso Isabela. E enfim a televisão dá uma respirada e tenta mudar um pouco o rumo da conversa. O CQC é bom em criticar a si mesmo, ao jornalismo televisivo. Verdade! Não tinha pensado nisso, mas o CQC funciona como um ombudsman, só que bem humorado.

Reparem: rapazes, somente rapazes (bom, né? Sem nenhuma bunda feminina, para variar), terno e gravata em uma pretensa seriedade. Mas é só abrir a boca que o escracho é certo. As observações são pertinentes e até sagazes, como por exemplo, entrevistar um “bam-bam-bam” do “mensalão”, que aposto, nenhum brasileiro se lembrava sequer o nome. Ou o Top Five, com as asneiras da TV, incluindo uma embromação de Kleber Machado. Quem disse que jornalista não enrola? O tempo é o curto, o tp cai, o entrevistado não fala. Parece que eles tentam anunciar: “Amigos, acordem, a TV não é perfeita, mas finge ser!!!”

Eu acordei, desde que entrei no curso… notícia é o jornalista quem faz e ultimamente o jornalista só tem dito besteiras.

Me diga aí… alguém te disse no que deu o “mensalão”?

por Raquel Nantes Tavares

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“Alguma coisa acontece no meu coração, que só quando cruza a ‘Aurora’ e avenida São João…”

Abril 29, 2008 at 1:34 pm (Televisão) (, , )

Eu sou umas das 4 milhões de pessoas que prestigiou as atrações da Virada Cultural… ou pelo menos tentei. Coitada de mim! Fui praticamente violentada pelo pessoal que resolveu fazer o mesmo que eu: ficar acordadinha a madrugada inteira, para prestigiar Zé Ramalho, Mutantes, entre outros, no palco da Avenida São João. Cheguei meia-noite. Consegui ouvir o Zé, ver que é bom… e nem tentei esperar pelos Mutantes.

Caos. Estava cercada por fumantes compulsivos e apreciadores nem um pouco contidos de álcool e marijuana. Deixo claro que não sou contra o uso desses dois tipos de drogas, mas quando eles passam a atrapalhar a minha diversão e a dos outros, aí eu tenho que reclamar. Estava com a minha turma, gente pacífica, bebedores de suco de acerola, ao lado de uma banca de jornal, tentando ver a barba do Zé, quando, sem mais nem menos, um ser nada simpático invade a cena e sobe no topo da tal banca, que por sinal, estava novinha em folha. No caminho, quebra uma das telhas e quase se esborracha no chão. Na hora fiquei com dó do dono da banca, que veria o estrago só na segunda-feira.

Pelo caminho de volta, mais e mais motivos para escrever esse post: a beleza dos malabaristas que faziam acrobacias em um sofá suspenso por guindaste, foi apagada pelo monte de papel picado que vinha do céu, diretamente para os bueiros. Pessoas mal educadas jogando lixo por onde passavam, vândalos em cima dos banheiros públicos, furadores de fila na bilheteria do metrô República. E até uma E.T fumando dentro do trem. É… só pode ser um E.T., porque cidadão que se preze nem sequer cogita a idéia de fumar dentro de um trem.

Naquela parte do evento só vi um ponto positivo e, ainda sim, deturpado. Os catadores de sucata, que com certeza fizeram a festa ontem, ao vender as latinhas que recolheram para o ferro-velho.

Eu estava esperando, no mínimo, uma nota simples em algum telejornal. E o que vejo? Só “rasgação” de seda. Claro, claro. Não se pode tirar o mérito, afinal, um evento como esse se compara, pelo tamanho e a boa intenção, aos grandes festivais europeus. Porém, e sempre há um porém, a grande virada cultural deveria estar na atitude das pessoas. Infelizmente, presenciei apenas mesmices, tanto no evento, quanto nos telejornais, que abafaram o caso e mostraram somente belezas.

Será que tem algo a ver com o tiroteio que ocorreu na última edição da Virada, durante o show dos Racionais Mcs? Os telejornais quiseram mostrar que esse ano correu tudo bem?

Não sei não, mas seria bom ver uma matéria estilo “antes e depois”, mostrando a avenida, a banca de jornal… e a cara do dono, quando visse o seu patrimônio destruído.

por Raquel Nantes Tavares

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O ABC fora do ar!

Abril 22, 2008 at 3:15 pm (Televisão) (, , , , )

Passei o feriado no litoral e como o frio e a chuva não deram trégua, mínha única escolha foi acompanhar a programação da tv. Para o meu descontento, a única emissora que “pegava” direito era a filial da Globo, a TV TRIBUNA … então me contentei em acompanhar os telejornais locais e até me animei com a possibilidade de fazer um comparativo com os da capital.

Foi aí que caí em mim: eu não moro na capital. Pois é… 22 anos para descobrir que sei mais do trânsito da Avenida Paulista (vou lá poucas vezes e de metrô) do que da Perimetral e Avenida Industrial de Santo André (passo por elas todos os dias, a caminho da Universidade). Tá certo… eu sei mais das duas porque as uso com mais freqüencia, porém, nenhum telejornal me avisa qual o melhor caminho a ser tomado quando vou para o  IMES… tantas faculdades aqui na região, tanta gente sofrendo com o trânsito todos os dias e nada de informação. Quem liga o rádio fica sabendo de tudo de São Paulo, mas do ABC…  a única rádio na região, a Rádio ABC, ainda  tem pouca representatividade.

Falo de trânsito com o intuito de ilustrar melhor a situação, mas todo o resto também se encaixa. Da mesma maneira que o litoral tem os seus telejornais pela manhã e à tarde, o ABC poderia ter o seu drops de notícias na TV aberta, afinal somos muitos, espalhados por 7 cidades, a terceira maior economia do país, temos representividade nacional, somos cidades industriais e ao mesmo tempo dormitórios, começamos agora a ascender para o comércio, sem contar o grande número de faculdades que levam o nome dos municípios. Taí! Porque não um telejornal com a nossa cara?

Vivemos tanto em função da capital, mas em suas aulas, o professor Carlos Alberto defende a regionalização das mídias, para uma melhor representação dos problemas e anseios dos cidadãos. Não há como contribuir de forma cidadã para os municípios, quando pouco se faz pelos cidadãos e muito se fala em audiência, espetacularização das notícias, ainda mais, das notícias da capital.

 por Raquel Nantes Tavares

 

 

 

 

 

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Todo mundo é culpado até que se prove o contrário

Abril 15, 2008 at 8:50 pm (Televisão) (, , , )

Pode parecer coincidência a escolha do tema, mas foi proposital, afinal os urubus da grande mídia sobrevoam o “caso menina Isabella”, como todo bom apresentador gosta de chamar, há duas semanas. Assim como meu colega Caio frisou, a mídia tem dado grande importância para pequenos detalhes e, acreditem, os detalhes nesse caso, enchem a paciência e só atrapalham.

As redações de todos os telejornais, nos últimos 2 ou 3 dias, tiveram acesso exclusivo ao depoimento ou fotos da perícia ou vídeo do casal fazendo compras em tal mercado. Mas o que fica claro é que nada nesse caso é exclusivo e todos os profissionais do jornalismo estão explodindo de vontade de dar o furo que já aconteceu há duas semanas. Qualquer fato já vai logo ao ar e a repercussão às vezes toma corpo e vida própria.

O Bom Dia Brasil não ficou para trás e trouxe “com exclusividade” as fotos da perícia e cópia do inquérito SIGILOSO do casal Ana Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni e vizinhos. A matéria de pouco mais de 6 minutos foi preenchida com 4 minutos da voz do repórter Maurício Ferraz (o ‘sortudo’ que teve acesso aos objetos) lendo passagens dos depoimentos. Praticamente nenhuma informação nova, apenas releituras e suposições, um graveto a mais nessa fogueira, para não apagar o furor da opinião popular, que nessas horas vira juiz e sabe com certeza quem é o culpado.

Seria favor de utilidade pública se a mídia ficasse quietinha e deixasse o caso “de lado” até tudo ser resolvido definitivamente e não apenas 60 ou 90 por cento do todo. As outras crianças continuam morrendo, o sertão está virando mar, o presidente está defendendo a política interna na Europa e, mais cedo ou mais tarde, outro furo vai dar o ar da graça. Até lá, tratar com respeito, imparcialidade e parcimônia o mistério em torno da morte de Isabella é questão de ética, lembrando sempre (como o professor Carlos Alberto Correia * gosta de frisar) de casos parecidos, como o da Escola Base, quando a irresponsabilidade ética de policiais e jornalistas condenaram professores inocentes.

Assista ao vídeo do Bom Dia Brasil de hoje

* O professor Carlos Alberto Correia ministra aulas de técnicas de reportagem e entrevista na Universidade Municipal de São Caetano do Sul – IMES.

Por Raquel Nantes Tavares

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